Palestrante Sérgio Dal Sasso

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Gestão da saúde: redução de custo e aumento produtividade

Fonte: canal RH

Duas pesquisas apontam dados preocupantes sobre a saúde dos executivos brasileiros: mais da metade dos profissionais de cinco estados sofre algum tipo de problema de saúde. Números da Bradesco Saúde, baseados em levantamento do Programa Juntos Pela Saúde, apontam que dos seis mil check-ups realizados em pessoas com idades entre 28 e 58 anos, 67% dos homens e 33% das mulheres apresentaram algum fator de risco para saúde, como obesidade e hipertensão.

Os números mudam um pouco quando falamos especificamente do Rio de Janeiro. Levantamento da Vita Check-Up Center na capital carioca, com base em seus sete mil clientes, revelou que as mulheres são mais estressadas do que os homens. De acordo com a pesquisa, 42% dos homens avaliados e 54,6% das mulheres estão na faixa de estresse excessivo. Resultado: um quarto do grupo, com idade média entre 41 e 45 anos, apresenta nível de pressão arterial elevado.

Segundo a endocrinologista Roberta Frota, do Hospital 9 de Julho, a cobrança por resultados contribui para o estresse e este pode levar a doenças como obesidade e problemas vasculares. “As pessoas se alimentam mal, dormem mal e, em geral, são sedentárias”, diz. A médica explica que o estresse excessivo ativa o cortisol, hormônio produzido pelo corpo para responder às situações de emergência e ajudar na resposta física aos problemas gerados, aumentando gradualmente a pressão arterial até um nível perigoso para a saúde.

Para ela, as empresas devem investir mais em programas de saúde. “A prevenção é a melhor solução. Incentivar o colaborador a cuidar de sua alimentação ou a praticar esportes faz diferença”, diz.

Medidas preventivas

A Nivea, fabricante mundial de cosméticos, dá dicas para combater o estresse. De acordo com a diretora de Recursos Humanos e Sustentabilidade, Mônica Longo, uma pesquisa de opinião, aliada à vontade da empresa em melhorar a saúde de seus colaboradores, fez com que a companhia adotasse medidas preventivas. “Nós realizamos, em parceria com a SulAmérica, um plantão médico que, entre outros exames, coletou o sangue dos colaboradores permitindo um ‘mapeamento’ dos possíveis casos de doenças crônicas”, diz.

Com os resultados em mãos, a empresa passa dicas aos profissionais, sempre com aval médico, de como eles podem mudar seus hábitos e melhorar a saúde. “Além disso, fazemos um ‘Plantão de Estresse’, com massagem antiestresse semanal, e uma ‘Blitz Postural’, para melhorar a postura dos profissionais”, conta.

Nas pessoas que foram detectadas doenças crônicas, conta Mônica, há um acompanhamento mensal feito pelo médico do trabalho da empresa. “Nesse levantamento, detectamos em alguns jovens a tendência para hipertensão. Para eles, encaminhamos um relatório individual, baseado nos exames médicos, com dicas para evitar que a situação se agrave”, explica.

As ações da Nivea também se refletem na saúde financeira da empresa. Segundo Mônica, antes da implantação dessas medidas, em 2008, a taxa de sinistralidade (a soma de gastos pelo conjunto de participantes) superou os 70%, o que levaria a um aumento do plano de saúde. “De 2009 para cá, a taxa de utilização ficou estabilizada e não ultrapassou essa margem e não houve o aumento, que seria da ordem de 15% a 20%”, calcula.



Outro exemplo de cuidado com a saúde dos executivos e colaboradores acontece na BExpert, empresa de tecnologia e consultoria em gestão empresarial , com a formação de um grupo de esportes. A primeira iniciativa foi a locação de uma quadra de futebol society, onde cerca de 20 colaboradores (incluindo mulheres) jogam uma vez por semana. “Também subsidiamos parte da inscrição dos colaboradores que praticam corridas”, comenta a gerente de marketing da empresa, Patricia Kost, que lembra que antes dessas iniciativas, poucos colaboradores praticavam esporte.

Além de incentivar a prática de esportes, a empresa dá dicas de saúde e alimentos saudáveis para seus profissionais. Todas as terças-feiras, pela manhã, e quintas-feiras, à tarde, a companhia faz o “Dia da Fruta”. “Os benefícios das frutas são divulgados por meio de um boletim, informando o impacto positivo que a fruta traz para a saúde”, explica.

Outra solução para empresa que se preocupa com a saúde de seus executivos é contratar os serviços de uma empresa especializada. A Funcional é uma delas. De acordo com o Gustavo Guimarães, diretor médico empresa, são desenhados projetos específicos para cada cliente em função dos objetivos. “A partir disso, realizamos exames preventivos nos colaboradores e, dependendo do caso, em seus dependentes”, diz. Depois dos resultados, explica, o paciente é orientado a seguir as recomendações médicas.

Ações como as da Nivea e da BExpert podem parecer simples, mas geram resultados significativos. “Isso tudo é válido”, explica a endocrinologista Roberta Frota. “Um colaborador se sente valorizado e trabalha mais contente quando sabe que a empresa cuida da sua saúde, mesmo que sejam com ações simples, mas eficazes”, finaliza.

O equilíbrio só pode ser conquistado quando treinado para ser incorporado (Sérgio Dal Sasso)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Crescer 2011 - 2012

Autor: Marcos Gouvea de Souza
Fonte: GS&MD


Condenados a crescer... A história parece se repetir. No último trimestre de 2008 o mundo também vivia o agravamento da crise financeira que havia se iniciado com os problemas do mercado imobiliário e que se alastrou posteriormente para todo o sistema financeiro, quebrando bancos e espalhando suas consequências, sentidas até hoje, por outros mercados.

Os pessimistas de plantão, economistas e jornalistas, com raras e honrosas exceções, imediatamente sinalizaram as dramáticas repercussões que haveria imediatamente no Brasil. Uma busca nos títulos e nas matérias da época vai mostrar quem foram os arautos do caos naquele momento.

Naquele momento a massa salarial continuava se expandindo, o crédito ao consumo crescia e, de fato, o que se alterou foi a confiança do consumidor, impactada pela dimensão dos problemas que se aproximavam. Ao final do ano a massa salarial havia crescido 6,9%, o PIB evoluiu 5,1%, o consumo das famílias 4,1% e as vendas do varejo 9,1%, apesar da perda de ritmo no último trimestre.

A ação do governo, com planos de estímulos e redução de impostos; e mais as empresas e entidades preocupadas com essas perspectivas se mobilizaram para criar um quadro de reversão desse comportamento, movimento que à época se convencionou chamar de “Marolinha”, homenagem à forma como o presidente reagiu ao tsunami financeiro global.

O consumo e as vendas andaram de lado, com menor crescimento, até o primeiro trimestre de 2009. A partir daí o ano teve um excelente desempenho, tendo o varejo crescido 5,9% sobre a expansão de 9,1% do ano anterior e, apesar do crescimento negativo do PIB de 0,2%, com evolução de 7% do consumo das famílias naquele ano.

O fator mais relevante para esse soluço vivido pela economia e o consumo foi a mudança da confiança do consumidor, abalada durante a internalização da crise global e que durou até o primeiro semestre de 2009.

O quadro atual lembra demais esse período. A crise agora é na Europa e, mais do que os bancos, são os países que enfrentam os principais problemas. Espanha, Portugal, Grécia e Itália, por enquanto, têm que mostrar como irão pagar a conta dos descontroles e de uma política social liberal e insustentável.

E, evidentemente, o potencial risco de envolvimento global é grande, porém menor do que quando o problema envolvia os Estados Unidos, por ser a maior economia do mundo e aquela com maior interconexão com outros países.

Para compensar esse quadro, o fato de que a China assume um papel cada vez mais decisivo no cenário global. O potencial risco para o Brasil existe e sempre existirá, mas a realidade dos negócios no mundo real mostra um cenário absolutamente distinto, ainda que com algum ajuste de curto prazo.

As vendas do varejo continuam se expandindo, apoiadas no crescimento de consumo das famílias impulsionado pela expansão de 6% da massa salarial, da oferta de crédito e do nível de emprego. Mais uma vez, a Confiança do Consumidor tem papel decisivo e no período de agosto e setembro reduziu-se, induzindo os consumidores a uma postura mais cautelosa de compras, em especial nos bens duráveis, mais dependentes do crédito de longo prazo. Já a partir de outubro, parece se iniciar um novo ciclo de melhoria do humor do mercado que pode sinalizar boas vendas no período do Natal, mas que deverá mostrar um índice de crescimento inferior à média do ano, de 7% até setembro.

Com a continuidade da expansão da massa salarial, pelo aumento da renda real das famílias e do emprego, associada com a oferta de crédito e a melhoria da confiança do consumidor, estamos “condenados a crescer” (como disse um amigo recentemente) também em 2012-2014, talvez em índices inferiores ao passado recente, mas positivos e relevantes em escala global.

Sem dúvida esse crescimento não se fará homogêneo para todos os setores econômicos, com claros problemas para alguns setores industriais, nem em todas as regiões brasileiras. Mas, ainda assim, desafiando o pessimismo de muitos, talvez até mesmo da maioria, estamos condenados a crescer.

Marcos Gouvêa de Souza (mgsouza@gsmd.com.br), diretor geral da GS&MD – Gouvêa de Souza