Portal Sérgio Dal Sasso

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Conjuntura e cenários 2012

"Primeiro dia útil do ano: não se dever temer o que se fala do mercado, pois o grande inimigo são as nossas próprias limitações". (Sérgio Dal Sasso)

Segue abaixo uma análise bastante realista para o desenvolvimento sustentável e real das nossas atividades em 2012.... Sucesso e resultados à todos!

Fonte: GS&MD
Autoria: Marcos Gouvêa de Souza

Desafiando a corrente que quer enxergar muito mais dificuldades neste ano que se inicia, as previsões para o comportamento do varejo brasileiro são de continuidade do quadro que tivemos nos anos anteriores, porém ajustadas a uma nova realidade, onde o crescimento será um pouco menor, mas consistente e distribuído por todo o país nos segmentos econômicos e nas categorias de produtos de forma similar ao que já temos tido.

Deverá variar a distribuição temporal do crescimento, que será menor no primeiro semestre e maior no segundo período do ano, por puro efeito estatístico, já que tivemos um quadro inverso no ano que terminou.

Por essa razão, os números divulgados projetando um menor crescimento das vendas de final de ano, em especial quando comparados com aqueles observados no primeiro semestre, e vários deles discrepantes entre si, não surpreenderam e não geraram excessos significativos de estoques – mesmo quando mostraram um consumidor um pouco mais retraído por conta da redução do nível de confiança, como resultado da cautela incorporada por conta da crise econômica global.

As discrepâncias ficam por conta das bases de comparação, o tamanho das amostras, as diferenças entre crescimento nominal e real, os indicadores de deflação e também as movimentações físicas – medidas usualmente pelo volume de transações ou pelo faturamento. Se não entendida metodologicamente, a percepção de diferenças se torna muito maior do que a realidade mostra.

As bases para a continuidade da expansão do varejo neste ano estão lastreadas no aumento do consumo das famílias, que tem puxado o crescimento do varejo, com melhores resultados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, bem como a expansão dos bens duráveis e semiduráveis, que são aqueles mais beneficiados pela elevação do crédito – motor maior do crescimento recente do consumo no país.

A emergente classe média continuará a ser aquela que vai aumentar sua participação no potencial de consumo nacional, como tem ocorrido nos últimos anos.

Setorialmente o varejo continuará se expandindo em praticamente todos os segmentos de negócios, porém com continuidade da tendência do inevitável aumento da concentração, em especial nos setores de alimentos, eletroeletrônicos, farmácias, vestuário e material de construção, como mais uma etapa de um processo histórico e irreversível balizado pela maior velocidade de crescimento por abertura de lojas e canais de vendas, aumento da oferta de crédito e incorporação de melhores práticas por parte dos maiores operadores.

Os cinco maiores operadores de cada segmento tendem mais decisivamente a complementar sua estratégia de expansão orgânica, através da abertura de novos pontos de vendas, com uma maior disposição para a incorporação de redes e operações menores, como forma de aproveitar o bom e histórico momento de expansão da economia, do consumo e, consequentemente, do país.

Marcante deverá ser ainda a continuidade da redução da informalidade, que tem contribuído para o aumento mais significativo da arrecadação tributária, muito acima da evolução do PIB e também o aumento da participação do Estado na economia – ideologia dominante no governo que refreia uma ação privatizante mais agressiva –, além das crescentes dificuldades na infraestrutura cada vez mais pressionada e limitando um maior crescimento do país.

Agora promovido a sexta maior economia do mundo pelos estudos publicados na Inglaterra, a atratividade do país para os investimentos internacionais deverá se manter, internalizando a crescente competitividade internacional e trazendo novos operadores para o varejo, contribuindo para seu maior aperfeiçoamento estratégico, técnico e operacional e mantendo sua tendência recente de se tornar um varejo de classe internacional, em especial nos setores menos informais.

Significativa será também a maior expansão e participação dos canais digitais na distribuição dos produtos e serviços. Essa tendência é derivada da curva de aprendizagem do consumidor, em especial do neoconsumidor, que tem seu comportamento reforçado à medida que experiências positivas se repetem e pode usar todo o instrumental colocado à sua disposição para ter maior conveniência, mais informação, capacidade de comparar e avaliar os produtos, marcas e propostas que são oferecidos.

A mais disruptiva transformação de mercado em âmbito global e local é o crescimento cada vez mais significativo dos canais digitais no relacionamento, informação, promoção e na venda de produtos e serviços e seu poder transformador da realidade de negócios, num processo inexorável e irreversível.

Por conta desse conjunto de fatores a virada do ano marcou apenas uma reflexão mais profunda que se conclui pela percepção que teremos à frente, ao menos no varejo, uma continuidade do “mais do mesmo” temperada pelos fatos que o cenário internacional pode influenciar, sem mudar significativa e radicalmente o rumo das coisas.

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