Palestrante, consultor executivo Sérgio Dal Sasso

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Organização de empresas de A à Z - Gestão e treinamentos

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Admitir o erro e aprender com ele pode ajudar a carreira

Fonte: Canal RH
Jornalista: Anderson Silva


“Errar é humano”, diz o ditado popular. “E mais humano ainda é pôr a culpa em outra pessoa”, reza o complemento politicamente incorreto agregado jocosamente ao antigo provérbio. Mas a realidade não é assim. Errar é humano realmente; admitir o erro pode ser considerado uma grande virtude. E pôr a culpa em um colega ou mentir para se esquivar da punição é outro erro, grave e dificilmente perdoável.

No entanto, apesar da noção socialmente aceita de que a admissão de equívocos é um valor positivo, no mercado de trabalho ocorre o temor de que tal atitude resulte em demissão sumária e, pior ainda, reflita de forma prejudicial na carreira. Há ainda a dificuldade da pessoa em lidar com o golpe na autoestima que significa dizer “É, pessoal, errei”.

Os especialistas orientam os profissionais a reconhecerem seus enganos e a trabalharem em prol da melhoria de seus pontos fracos de forma a evitar que o equívoco volte a acontecer.

O presidente do Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual (Insandi), Dieter Kelber, destaca que admitir um erro significa ter postura de humildade e acredita que se o erro não for grave, dificilmente a pessoa corre o risco de ser demitida. “É importante reconhecer suas fraquezas e é preciso ter disposição para aprender com os erros”, comenta. Mas, em relação à alternativa de atribuir um erro a um colega, ele alerta: “Mentir é uma maneira imperdoável de lidar com as relações no ambiente profissional”.

Para Kelber, depois de constatada uma ação errônea, o importante é que o colaborador seja acompanhado de perto pelo líder para evitar que surjam novos problemas. “Os erros ocorrem mais frequentemente quando o profissional ainda não aprendeu satisfatoriamente as tarefas que deve executar e quando há uma falta de sintonia entre suas competências e as atribuições que lhe são delegadas”, explica.

Para a psicóloga e diretora da Human Value - Consultoria, Treinamento e Desenvolvimento, Meiry Kamia, a atitude de não admitir quando se erra é, basicamente, uma infantilidade. A especialista explica que essa atitude pode ser uma decorrência da falta de repreensão dos pais na infância. Sem nunca ser questionada, a pessoa cresce acreditando ser infalível e leva essa suposição pela vida afora, até a fase adulta e também para sua atividade profissional. “Se desde pequena, a pessoa se acha infalível; a tendência que ela continue achando que sabe tudo na idade adulta e no trabalho”, diz Meiry.

A psicóloga acrescenta que, ao contrário, dessa atitude infantil, um adulto que admite uma falha também reflete sobre ela, sobre os fatores que resultaram no seu engano e buscam formas de tentar não repeti-la em outras ocasiões.

Gestores professores

Assim como Kelber, Meiry também acredita que o papel de um bom gestor é fundamental nesse processo. “Ele vai perceber quais as qualidades e dificuldades que a pessoa que errou, possui”, explica. Segundo ela, é preciso desmistificar essa ideia de “errou, está fora”. Ao contrário, o líder precisa ser capaz de conversar com o colaborador, tranquiliza-lo e exigir maior precisão no futuro.

A especialista acrescenta, ainda, que muitas vezes os profissionais jovens chegam ao mercado de trabalho com comportamentos próprios da adolescência. Segundo ela, eles querem abraçar o mundo, tentar chegar ao topo o mais rápido possível e muitos, embora sejam ainda recém-formados, se apresentam cheios de pompa e circunstância.

Em resposta a essa atitude, há gestores mais maduros que perdem seu tempo lidando com a certeza que o recém-formado tem de que é infalível. “Já houve casos de diretores de empresas perderem duas horas por dia dizendo aos novatos que isso não é bem assim; que aquilo não funciona desse jeito, comenta Meiry.

Ela acredita que os líderes de hoje chegam a assumir a função de pais de muitos jovens que acabam de ingressar na vida laboral e atribui essa transferência de responsabilidade à má qualidade na educação do País. “Há executivos que se tornam professores, ensinando algo que os jovens já deveriam ter aprendido antes de chegar à empresa”, conclui.

Sem medo de errar

O medo de errar pode inibir boas ideias. Essa é a opinião do consultor Marcelo Mariaca, fundador da consultoria especializada em gestão de capital humano Mariaca e autor do livro Erre Mais – 65 Conselhos de um Headhunter para Ter Sucesso na Vida e no Trabalho, no qual aconselha as pessoas a terem ousadia e não se preocuparem em errar. “Esse receio de cometer o erro limita as pessoas e grandes ideias não podem ser desperdiçadas”, afirma.

Mariaca cita como exemplo a liberdade que os químicos que trabalhavam com ele na Du Pont possuíam. “Eles tinha a liberdade para fazer o que queriam e isso é importante em qualquer empresa. O maior recurso é a liberdade para errar. A pessoa tem que ter o direito de arriscar, e aprender com esses erros para vencer na vida pessoal e profissional”, completa.

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