Palestrante, consultor executivo Sérgio Dal Sasso

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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Reconhecendo o Terreno

Fonte: GS&MD
Autor: Marcelo Waideman


Com a divulgação da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), o IBGE trouxe à tona preciosas informações sobre o cenário de consumo e renda no país, usualmente coletadas com amplos intervalos de tempo – como exemplo, o último estudo foi realizado entre os anos de 2002 e 2003. A POF é um minucioso estudo abordando a origem e o destino da renda nas regiões do país e classes de renda, oferecendo uma visão ampla sobre o universo do consumo brasileiro.

No que diz respeito aos rendimentos, a média brasileira no período foi de R$ 2.641,63. No entanto, fica latente o fosso existente entre as regiões do país: enquanto a renda média no Sudeste se aproximou de R$ 3,2 mil, na região mais pobre, o Nordeste, ficou pouco acima da metade disso: R$ 1,7 mil. A propósito, nessa região, 22,5% dos rendimentos médios se originam por meio de programas de transferência de renda – nenhuma outra região tem tamanha dependência. Fica assim confirmada, com números, a percepção da importância de programas de transferência, como o Bolsa-Família, na região.

Pelo lado das despesas, Habitação (35,9%), Alimentação (19,8%) e Transporte (19,6%) representam os maiores gastos dos consumidores. Em relação ao levantamento anterior, Habitação e Transporte assumiram pesos maiores no orçamento das famílias, enquanto alimentação segue em queda. Boa parte desse recuo pode ser atribuída ao maior consumo de alimentos fora de casa: no início da década, 24,1% das despesas com alimentação eram realizadas fora de casa; no levantamento atual, esse percentual chegou a 33,1%. Algumas discrepâncias regionais no perfil do consumo podem ser observadas também. No Norte e Nordeste, Alimentação e Vestuário são mais representativos nos gastos dos consumidores que nas demais regiões. Já nas demais regiões, os gastos com Habitação são mais pesados nos orçamentos familiares.

O cenário de consumo brasileiro é algo que deve ser observado com mais e mais atenção, seja no aspecto quantitativo, como é o caso da POF; seja no qualitativo, buscando compreender através de pesquisas qual a preferência do consumidor por determinado produto ou serviço em detrimento de outro. O país deve crescer em marcha acelerada nos próximos anos, acarretando mudanças socioeconômicas com maior ou menor intensidade entre as diversas regiões e classes econômicas. Apenas um bom produto não basta: as companhias vencedoras devem se posicionar para compreender o potencial de mercado e quais as necessidades e aspirações dos consumidores para direcionar suas estratégias.

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