Palestrante, consultor executivo Sérgio Dal Sasso

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Organização de empresas de A à Z - Gestão e treinamentos

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Onde mora a diferença

Autor:Marcos Gouvêa de Souza
Fonte: GS&MD

Em duas semanas irão se reunir em São Paulo franqueadores e empresários de redes de negócios das mais importantes empresas brasileiras para avaliar a gestão no setor, com a análise das melhores práticas nacionais e internacionais.

De todos os aspectos ligados ao negócio de franquias no Brasil, o que mais merece atenção no momento é a evolução dos modelos e práticas de gestão nessa atividade. E isso tem razões históricas.

O primeiro ciclo de desenvolvimento de franquias no país foi marcado pela expansão das redes que foram criadas por indústrias e marcas como estratégias para desenvolvimento de canais exclusivos de distribuição de produtos, como alternativa à falta de capital e recursos próprios na criação de uma rede própria. E isso marcou essa fase em que a preocupação dominante era encontrar alternativas para a distribuição de produtos e a ênfase estava mais em obter esses espaços e compromissos de compras e menos no desenvolvimento das relações com os franqueados.

Esse primeiro ciclo marcou a expansão do setor, com uma ênfase muito maior no desenvolvimento de projetos de franquia, análise de mercado, identificação de potenciais franqueados e comercialização de unidades. As preocupações com o desenvolvimento integrado do negócio, com o amadurecimento das relações, onde a gestão torna-se fator crítico, só foram crescer de importância nos últimos anos, quando aumentou a participação dos serviços no conjunto das atividades de franquias, aproximando-se dos padrões internacionais.

O setor de franquias no Brasil tem mostrado um vigor marcante e crescido significativamente acima da evolução do PIB (14,7% em 2009 em relação a 2008) e alcançou um faturamento consolidado de R$ 63,1 bilhões, com perto de 80 mil unidades franqueadas. Entretanto, só recentemente passou a prestar mais atenção à gestão do negócio e à incorporação de melhores práticas, desenvolvimento de indicadores de desempenho e avaliação integrada e interssetorial dos resultados. Processo natural de um setor em significativo desenvolvimento.

O potencial e o momento do mercado brasileiro têm atraído crescente interesse pelas oportunidades de expansão de negócios nos mais diversos segmentos e o de franquias é um daqueles que têm liderado esse processo, com expansão do número de franqueadores e de unidades franqueadas; novas marcas sendo desenvolvidas no país; e outras tantas vindo do mercado internacional para buscar espaço no crescimento brasileiro.

Ainda tomando como exemplo o mercado americano, o faturamento do setor de franquias evoluiu, no período de 2001-2005, em média 9,7% ao ano, na esteira do boom econômico que viveu aquele mercado, porém essa expansão caiu para 2,8% no período de 2007-2008 e teve desempenho negativo de 0,7% em 2009, como consequência da retração econômica que vive o país.

Os números dos principais países do mundo, com exceção de China, Índia e Austrália não foram muito diferentes, o que fez crescer de importância o desempenho da economia, do consumo e do setor de franquias no Brasil, despertando ainda maior interesse pela expansão de atividades por aqui. E a perspectiva de aumento de oferta de marcas e negócios em busca de franqueados aumenta a importância de acelerar o processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento da gestão das franquias no país.

Pesquisa recentemente realizada sobre a gestão no setor de franquias pela Bittencourt Consultoria e GS&MD – Gouvêa de Souza, e que será apresentada durante o Fórum de Gestão de Franquias e Redes de Negócios, envolvendo Franqueadores e empresários de redes de negócios, mostra que existe um gap entre as expectativas de uns e de outros como um traço dominante em todos os setores pesquisados. E essa diferença de percepção está relacionada a praticamente todos os aspectos que envolvem a gestão do negócio.

Essas diferenças de percepção decorrem do grande crescimento experimentado nos últimos anos, que fez baixar o tempo médio de operação tanto de franqueadores como de franqueados; como também do fato de que as franquias de serviços só mais recentemente cresceram de importância no conjunto das atividades, reduzindo a participação daquelas que foram desenvolvidas exclusivamente para criar um canal de distribuição de produtos; e, como tal, dedicaram menor atenção aos elementos ligados à gestão.

No 1º Fórum Internacional de Gestão de Franquias e Redes de Negócios, organizado pela Bittencourt Consultoria e GS&MD - Gouvêa de Souza nos dias 13 e 14 de abril, no Hotel Renaissance em São Paulo, a proposta será exatamente expor as melhores práticas internacionais, a serem apresentadas por Greg Nathan, da Austrália, reconhecidamente um dos maiores estudiosos do relacionamento entre franqueadores e franqueados; e por Eduardo Tormo, da Espanha, mas com operações importantes em Portugal, México, Peru, Colômbia e que, no Brasil, opera em parceria com a Bittencourt Consultoria.

Ao mesmo tempo, algumas das mais importantes operações de franquia e redes de negócios presentes no Brasil, em segmentos diversos, tais como Boticário, Outback, Via Uno, Bob’s, DPaschoal, Portobello e Marisol, irão compartilhar seu aprendizado nas questões ligadas à gestão como uma efetiva contribuição para a busca de excelência do setor.

A diferença na avaliação da maturidade do setor de franquias na comparação entre segmentos, mercados e países não reside apenas nos números do setor ou nos índices de crescimento, mas nas práticas, processos, indicadores de desempenho e no perfil dos profissionais que atuam em cada um.

Discutir, avaliar, medir e compartilhar é a melhor forma de contribuir para o amadurecimento e desenvolvimento na gestão do setor e só as empresas e profissionais mais abertos entendem que o crescimento coletivo é tão ou mais importante que o desenvolvimento individual. O que o setor de franquias tem na gênese do seu processo evolutivo.

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